
O Sterdex é uma pomada oftálmica acondicionada em cápsulas moles de dose única, associando dexametasona e oxitetraciclina. Seu formato particular, uma pequena cápsula a ser perfurada e depois pressionada no olho, gera gestos incomuns em comparação a um simples colírio. Uma má manipulação reduz a quantidade de princípio ativo depositada no saco conjuntival, o que compromete diretamente a eficácia do tratamento ocular.
Cápsula de dose única Sterdex: um formato que impõe uma técnica precisa
A maioria dos erros de aplicação não vem de uma falta de boa vontade, mas do próprio formato. O Sterdex não é um colírio líquido, nem um tubo de pomada clássica. É uma cápsula mole que deve ser aberta corretamente, orientada e pressionada com um gesto calibrado.
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A cápsula deve ser perfurada girando-a sobre si mesma, e não cortando-a com tesouras ou mordendo-a (dois reflexos documentados na prática farmacêutica). A torção cria uma abertura limpa sem projetar pomada para fora da cápsula. Uma abertura muito larga faz perder parte do conteúdo antes mesmo do contato com o olho.
Para ter sucesso na aplicação do Sterdex pomada oftálmica, é necessário orientar a extremidade perfurada para baixo, mantê-la acima do saco conjuntival inferior (a bolsa formada ao puxar a pálpebra inferior), e então pressionar suavemente a cápsula entre o polegar e o indicador. Todo o conteúdo da cápsula deve ser depositado em uma única pressão. Interromper o gesto para reposicionar a cápsula faz perder pomada na bochecha ou nos cílios.
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Ordem de instilação quando o Sterdex é co-prescrito com colírios
Esse é um ponto que as bulas de medicamentos raramente abordam com clareza suficiente. Quando um médico prescreve o Sterdex em complemento a um ou mais colírios, a ordem de administração muda tudo.
A pomada oftálmica deve sempre ser aplicada por último, após os colírios. A razão é física: a textura oleosa da pomada forma um filme que bloqueia a passagem de qualquer líquido instilado depois. Um colírio depositado após a pomada desliza sobre essa camada lipídica sem alcançar a superfície ocular.
Entre cada colírio, um intervalo de pelo menos cinco minutos é recomendado para dar tempo ao primeiro produto de ser absorvido. A pomada Sterdex vem para fechar essa sequência. Na prática, isso significa que um paciente sob três colírios e uma pomada deve prever cerca de quinze minutos para todo o protocolo, manhã e noite, conforme a prescrição.
- Instilar o primeiro colírio, esperar cinco minutos com os olhos fechados sem piscar excessivamente.
- Instilar o segundo colírio (e o terceiro, se necessário), respeitando o mesmo intervalo entre cada produto.
- Aplicar a cápsula Sterdex por último, uma vez que os colírios tenham tido tempo de penetrar na superfície ocular.
Inverter essa ordem é uma fonte frequente de perda de eficácia do tratamento, sinalizada em vários guias de bom uso das formas oftálmicas.
Higiene das mãos e contaminação da cápsula Sterdex
A lavagem das mãos antes de qualquer manipulação oftálmica parece óbvia. Na prática, a dificuldade é mais sutil: os dedos devem estar secos após a lavagem. Mãos úmidas tornam a cápsula escorregadia, complicam a torção de abertura e aumentam o risco de contaminação pela água da torneira (que não é estéril).
A cápsula de dose única é projetada para uso único. Uma vez perfurada, mesmo que parte do conteúdo permaneça dentro, não deve ser guardada para uso posterior. O acondicionamento aberto perde sua esterilidade em poucos minutos.
Contato entre a cápsula e o olho
A extremidade da cápsula nunca deve tocar a superfície do olho, os cílios ou a pálpebra. Esse contato contamina a abertura da cápsula e introduz bactérias na pomada restante no momento da pressão. A distância ideal é de alguns milímetros acima do saco conjuntival.
Inclinar a cabeça para trás e olhar para cima facilita o acesso à pálpebra inferior e reduz o reflexo de piscar. Alguns pacientes acham mais simples se deitar para essa etapa, o que estabiliza a cabeça e libera as duas mãos.

Duração do tratamento e risco relacionado ao uso prolongado
O Sterdex contém dexametasona, um corticoide. Esse componente anti-inflamatório é eficaz na inflamação ocular, mas impõe uma duração de tratamento estritamente controlada pelo médico prescritor.
Um uso prolongado de corticoides oftálmicos pode levar a um aumento da pressão intraocular. Esse risco aumenta com a duração do tratamento e com certos perfis de pacientes (histórico de glaucoma, miopia forte). Nunca prolongar o Sterdex além da duração prescrita, mesmo que os sintomas persistam, pois o efeito anti-inflamatório às vezes mascara uma agravamento subjacente.
A bula também menciona um risco de infecção fúngica secundária em caso de uso prolongado. A oxitetraciclina (o antibiótico associado) não cobre fungos. Um tratamento que dura muito tempo altera a flora microbiana local e pode favorecer sobreinfecções que o Sterdex não trata.
Quando consultar o médico durante o tratamento
Qualquer queda de visão, dor ocular incomum ou vermelhidão que se agrava após alguns dias de tratamento justifica um retorno rápido ao oftalmologista. Esses sinais podem indicar uma complicação relacionada ao corticoide ou uma infecção que não responde à oxitetraciclina.
O uso de lentes de contato é desaconselhado durante toda a duração do tratamento. A base oleosa da pomada altera as lentes macias e cria um filme opaco que perturba a visão por várias horas após cada aplicação.
O Sterdex continua sendo um medicamento sujeito a prescrição, indicado para inflamações oculares específicas onde a associação corticoide-antibiótico é justificada. Dominar o gesto de aplicação, respeitar a ordem de instilação e não ultrapassar a duração prescrita são os três parâmetros que realmente condicionam o resultado do tratamento.